Hoje 29 de Julho, festa "Hip Hop House" na discoteca Diamante Club. Entrada 500$.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Expavi um rapper em expansão
O rapper Expavi, vencedor do concurso Vis-A-Vis participa em mais um festival internacional em Canárias, depois de já ter sido um dos artistas convidados para festivais em Sevilha, Granada e Madrid.A carreira deste rapper são- vicentino deu um grande salto á nível internacional, como resultado do grande prémio, em que foi um dos vencedores da sua edição do Concurso Vis- A-Vis realizado por promotores espanhóis que procuravam talento em Cabo Verde.
Hoje, Expavi está de regresso de Fuerte Ventura, mas de agenda marcada para um outro festival internacional em Canárias, Tenerife, no mês de Agosto. E como o próprio diz não vê a hora de voltar lá, “foi espectacular sentir como as pessoas valorizam os artistas”.
“As pessoas chegavam para mim e diziam que não entendiam bem o que eu cantava, mas sabiam que tinha ritmo, que tocava-lhes”. Ele ficou surpreso pelo modo como gostaram deles, “a quando da nossa volta, as pessoas até choraram”.
Como modo de divulgar a sua música, Expavi fez questão de oferecer CDs para o público de diversos países que estavam presentes nos festivais e acredita que esta é uma forma de propagar o Rap crioulo, mas também o nosso próprio país, ainda mais para a geração mais jovem.
No intervalo, da sua estada em Cabo Verde irá trabalhar, junto com Djô da Silva na gravação do disco de Nancy Vieira e trará para o seu trabalho novos conhecimentos, adquiridos da convivência com artistas de renome, com quem teve o privilégio de privar.
In A Nação (alfa.cv/anacao)
Lod Escur: Dez anos. Dez álbuns: “Queremos lavar a cara do Hip Hop”
Expresso das Ilhas - Porquê Lod Escur?
Nelson Graça - Temos consciência de que muitas vezes este nome não nos traz muitas vantagens logo à primeira. Muita gente pode associar o nome a algo negativo. Mas escolhemos esse nome porque nas nossas músicas falamos das problemáticas sociais e sabemos que quem as sofre normalmente são as camadas mais desfavorecidas e, muitas vezes, são pessoas à margem da lei, no lado considerado escuro. Decidimos que queríamos ser os porta-vozes dessas camadas que muitas vezes sofrem injustiças, esquecimentos por parte do Governo, por parte do próximo. Queremos ‘desrotular' isso e desmistificar a ideia de que ser da periferia é sempre mau e quem vive desse lado é sempre um bandido. Hoje diz-se que o MC é um bandido, mas a palavra MC significa Mestre-de-cerimónias e não é qualquer bandido que pode ser um mestre-de-cerimónias. E também não é qualquer MC que pode ser bandido porque hoje em dia para ser bandido também é preciso habilidade com a BAC nas ruas, (risos).
Mas tens consciência que muitas vezes os rappers são tidos como pessoas problemáticas ou mesmo marginais?
Sim, e muitas vezes por culpa mesmo dos rappers, que passam uma imagem menos positiva da classe, que tem comportamentos sociais inadequados. Mas é como em tudo, em todas as áreas há pessoas que têm comportamentos correctos e outros que não. O hip hop por ser um género de música maioritariamente feito por pessoas que sofrem preconceitos e são discriminadas, sentem a necessidade de usar dessa ferramenta para ter uma voz. Não querendo justificar comportamentos negativos de alguns, mas sei que são pessoas revoltadas, que não tiveram uma educação ou acompanhamento familiar.
E isso não acontece no teu grupo?
Já aconteceu, porque temos membros de diversas origens: de Fonte Francês, de Maderalzinho, de Ribeira de Craquinha, de Ribeira Bote, de todas as zonas e nem todos tivemos as mesmas oportunidades na vida.
Mas hoje o que buscamos é passar uma imagem geral de que é preciso acreditar, se corrermos atrás dos nossos objectivos é possível fazer algo de positivo e, de alguma forma, tentar gerar um auto-emprego a partir daquilo que fazemos. Temos hoje a consciência de que o hip hop pode ser uma ferramenta para nos afastar de caminhos negativos e dar-nos um auto-sustento. Queremos que os outros jovens se espelhem em nós e nos tenham como exemplos.
Quantos elementos são ao todo?
Já fomos muito mais, cerca de trinta elementos. Mas o grupo sofreu alterações. Neste momento, somos cerca de vinte e dois ou vinte e três. Temos 4 elementos a residir na Holanda, um na Dinamarca, outro em Luxemburgo e o resto aqui em São Vicente, em várias zonas da ilha. Não temos uma hierarquia de importância no grupo, mas para melhor nos organizarmos, tivemos a necessidade de fazer três divisões no grupo: a equipa técnica, que se ocupa da produção das músicas, vídeos e dos trabalhos que fazemos em estúdio, a equipa de produção de eventos e a equipa para contactos com parceiros. Tivemos essa necessidade por sermos muitos e por vezes as coisas não andarem ao ritmo que queremos.
Qual o balanço que faz destes dez anos?
Consideramos que o reconhecimento da parte do nosso público é com certeza uma das mais-valias. Desde o início procuramos sempre uma certa independência, para elaborar, editar os nossos CD's, organizar os nossos eventos e procuramos sustentar a nossa arte. Conforme os eventos que realizamos, adquirimos fundos para custear as nossas actividades. Através do nosso trabalho conseguimos ter o nosso próprio estúdio de gravação que teve um custo total de cerca de trezentos contos, desde cabine de som a equipamentos técnicos.
Fala-me então do vosso Projecto: '10 One, 10 Album'.
Temos dez actividades que não passam apenas por entretenimento. Passam também por formações e workshops. Já vamos a meio, já realizamos palestras na Universidade Lusófona e na Universidade do Mindelo.
Estamos a programar agora workshops, onde pretendemos dotar os jovens de capacidades artísticas e ferramentas para gerarem rendimentos que ao menos possam servir para sustentar a sua arte, porque há custos, é preciso comprar materiais, e quem sabe, se puder ter uma ideia engrandecedora, poder até gerar um lucro daí e abriremos inscrições para breve. Estamos com o décimo álbum prestes a ser lançado, claro, num mercado regional porque é difícil termos uma estrutura e chegar às produtoras. Todas as actividades serão geradas à volta do número dez e o ponto alto ou a cereja no topo do bolo será o último evento que pretendemos que sejam dez horas de actividades, desde música, demonstração de graffiti, torneio de street basket, disco jockeys (DJ's), Video jockeys (VJ's), MC's. Os workshops serão em: artes plásticas, mais propriamente do graffiti, técnicas de escrita, djing, técnicas de gravação e de produção em estúdio e também um workshop em história do hip hop. Serão as ferramentas básicas: mostrar como se faz, ensinar a pescar, mostrar os sítios ideais para a pesca e a partir daí podem ir à luta porque na música ou nas artes em geral, não se pode nunca ensinar tudo. Estamos sempre a aprender.
Tens dois filhos pequenos. Se desejarem ouvir rap e ser rappers quando crescerem será um motivo de orgulho ou terás algum cuidado em filtrar o que podem ou não ouvir?
Bem, hoje em dia, com a Internet e a globalização tem-se fácil acesso a tudo. Então acredito que o processo passe mais pela educação: mostrar aos nossos filhos as vantagens de fazer o positivo e as desvantagens de seguir algo negativo. Se os meus filhos decidirem ser rappers ou ‘graffiteiros', para mim pode ser um motivo de orgulho, desde que falem algo consciente e passem uma mensagem que possa trazer algo de positivo para a sociedade. Hoje queremos mostrar que o hip hop tem uma força enorme, é um veículo de comunicação em que todos os jovens estão abertos a ele, logo, se passarmos só mensagens negativas é uma grande responsabilidade. Podemos, através dele, mover as massas para um caminho de igualdade e justiça e inicialmente para promover a paz e não para fazer a guerra. Queremos trazê-lo de volta aquilo que foi no início porque agora vai a milhas da sua essência inicial. Baseia-se em posses, aquilo que eu tenho e não tu tens, está desvirtualizado. E as pessoas mais velhas que ouvem pensam que o hip hop é isso que ouvem actualmente e não é verdade.
E quais os parceiros que estão convosco neste projecto?
Ainda estamos a correr atrás de parcerias. É um projecto grande, ambicioso e que não está ao nosso alcance se estivermos sozinhos nele. Trabalhamos em parceria com algumas associações locais, nomeadamente a Skibosurf e estamos a organizar já no dia 9 o campeonato de skate, no parque de estacionamento da Enapor. A ADECO também é nossa parceira há mais de um ano, a Strela vai nos dar um grande apoio em duas das actividades, mas, neste momento, estamos a correr atrás de apoios para os workshops, pois queremos trazer pessoas da diáspora com experiência em cada uma das vertentes para que as formações sejam de qualidade e realmente uma mais-valia para os formandos. Quero deixar aqui o apelo para quem lê esta matéria e queira apoiar-nos de alguma forma. Não precisa ser em dinheiro, pode entrar em contacto connhttp://www.blogger.com/img/blank.gifosco e ajudar-nos em material ou em serviços e seria muito bom. Só queremos concretizar o nosso plano.
Mais informações em: lodescur@gmail.com ou pelo número 5947480
In Expresso das Ilhas (expressodasilhas.sapo.cv)
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